Quem é você no mundo?

Imagem: Sweet Couch

As pessoas estão perdendo a capacidade de observar. De vivenciar um processo, de saborear a vida. Não importa o caminho que você escolheu ou que você enfrentou para chegar onde chegou, o que importa é que você conquistou um lugar de sucesso -- se é que você conquistou. É isto que importa, afinal, nos dias de hoje: não o que você passou, mas o que você obteve. Não as suas quedas, mas as suas vitórias. O mundo de hoje não quer saber de você e da sua história, ele quer saber o que você tem a oferecer.

Entretanto, o que podemos oferecer em um mundo mais preocupado com a aparência do que com a essência? Em um mundo mais preocupado com o imediatismo das conquistas do que com os aprendizados obtidos ao longo do percurso? Vivemos na era da decadência, como diria o querido professor espiritualista Maro Schweder. Muitas pessoas hoje vivem de maneira automática, sem refletir sobre o rumo de suas escolhas e de suas próprias vidas. Trocam de emprego, de casa, de parceiros amorosos sem muitas hesitações ou preocupações: o importante é colecionar experiências. O importante é colecionar momentos em uma sociedade mais interessada em quantidade do que em qualidade.

E nessa busca por quantidade, pelo saciamento de vontades e desejos diversos, perde-se a capacidade de admirar. Admiração pelos desafios que estamos passando, admiração pelas pessoas com as quais estamos nos relacionando, admiração pelos seres humanos que estamos nos tornando. Porque uma vida vivida depressa é uma vida sem sabor. É uma vida com muitos vazios e pouco sentido. É uma vida com muitas sensações e poucos frutos -- se é que há frutos. É essa falta de vida que muitos estão oferecendo por aí.

É por essa falta de vida que muitos estão sofrendo, adoecendo, enlouquecendo. Pois essas pessoas, ao invés de buscarem o autoconhecimento e sentido em suas vidas, procuraram se submeter à quantidade de desafios e experiências para chegar a algum lugar neste mundo, esquecendo-se delas mesmas. Esquecendo-se de contemplar seus próprios passos, seus próprios caminhos.

Por isso, precisamos parar e observar. Observar se estamos vivendo no piloto automático ou se estamos vivendo com algum propósito. Devemos prestar atenção ao que acontece dentro de nós. Será que estamos saboreando a vida e o nosso processo com carinho? Será que estamos vivendo uma vida com significado e qualidade, ou uma vida vazia e baseada em quantidade? E lembrem-se: não há nada mais interessante para oferecer a alguém do que você e a sua história, mesmo que a sociedade tenha se esquecido do imensurável valor disso.

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