Confissões

Entre a realidade e a sua fantasia, restava a dúvida. A dúvida do que é, a dúvida do que deveria ser. Sempre fora uma sonhadora, com a cabeça nas nuvens e o coração a mil. Por mais que os tempos tivessem mudado, ela não mudou: continuou sendo aquela menina e agora, mais precisamente, uma menina-mulher eternamente apaixonada pela vida. Não poderia deixar de viver com a intensidade que ela sempre foi: nada a agradava facilmente, pois ela se encantava não pela aparência, mas pela essência. Ela se encantava por um hard rock romântico, por conversas profundas e caminhadas no parque. Ela gostava de sentir, mas, por vezes, por medo de sentir, buscava fuga em seus pensamentos... caóticos! Tinha facilidade em se concentrar em alguma coisa, mas também dispersava quando se sentia ansiosa. Bom, normal para uma jovem descobrindo a vida. Vida pela qual ela nutria um grande amor e uma grande esperança. Para ela, viver não era apenas aos sábados e domingos; era uma delícia criar sua própria rotina de estudos, trabalhos, passeios, oração, meditação e exercícios físicos. Ela gostava de movimento. E viver, para ela, era isto: movimento. Mesmo que nada pudesse estar fazendo sentido, tudo poderia ser revertido em crescimento. Era tudo questão de perspectiva, era tudo questão de olhar para o próprio umbigo e desejos ou olhar para além da sua zona de conforto e talentos. Ela estava caminhando em direção a esse segundo ponto, na esperança de se tornar uma pessoa não só com mais bagagem e conhecimento, como também apta a ajudar os outros. Mas, ela sabia que, para ajudar os outros, ela deveria primeiro se ajudar -- e, portanto, precisava se lançar em novos desafios para saber o que ela queria ou não, quem ela era e quem ela queria ser.







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