Recortes

Tudo que podemos fazer e compartilhar com as pessoas gira em torno de recortes. Por não conseguirmos apreender a vida em sua totalidade, em suas nuances, particularidades e variáveis, só nos resta fazer recortes, ou seja, trazer aos outros aquilo que sabemos, de acordo com a nossa trajetória, que é essencialmente subjetiva -- o que não quer dizer que a verdade seja relativa. Como nos diz o filósofo inglês Roger Scruton: "O rosto brilha no mundo dos objetos com uma luz que não é deste mundo: a luz da subjetividade." É essa subjetividade, intrínseca às pessoas e às suas trajetórias, que faz com que cada uma delas seja única.

Sem esses recortes, não há qualquer possibilidade de interação e troca entre os indivíduos, e, assim, torna-se impossível o aprendizado. Afinal de contas, se formos esperar pelo conhecimento perfeito e exato sobre todas as coisas da vida para só depois começarmos a compartilhar, então morreremos sem aprender coisa alguma.


Imagem: TAOLU

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