Pessoalidade e dias atuais
"Como ser humano, tenho passado e futuro; como pessoa, reivindico esse passado e esse futuro como meus - como coisas que têm origem em mim, nesse mesmo sujeito que deve prestar contas deles". Roger Scruton
Como argumenta o filósofo inglês Roger Scruton, em seu livro "O Rosto de Deus", apesar de sermos membros da espécie Homo Sapiens, não nos identificamos dessa maneira quando falamos sobre nós, ou, mais precisamente, quem nós somos.
Ao contrário, nos identificamos como pessoas, porque temos características e peculiaridades que nos são próprias, e é isto que faz com que cada um seja único no mundo: a pessoalidade.
A cada dia que passa, porém, assistimos a um mundo cada vez mais insosso, onde se pretende construir máquinas homogêneas ao invés de indivíduos díspares.
Um dos exemplos mais significativos dessa situação é a entrevista de emprego. Somos ensinados, a todo o momento, a como nos comportar, o que dizer ou não ao entrevistador, quais hábitos e manias a se evitar. Em outras palavras, deixamos nossa real presença de lado para seguir um manual de instruções! É como se estivéssemos nos vendendo, vendendo uma imagem que seja apropriada àquilo que está sendo solicitado.
O incentivo à homogeneidade e à padronização também pode ser percebido no universo dos smartphones que, após um ou dois anos de uso, ficam obsoletos: além de começarem a dar problemas ao usuário, novas versões do aparelho são rapidamente disponibilizadas, com muito mais garantias de "sucesso" e "satisfação momentânea". Diante disso, somos instigados a não só consumir a última moda, como também a adquirir produtos de forma imediata.
Esse estímulo ao imediatismo acabou gerando em nós um sentimento de urgência em se ter algo de modo quase que imperceptível. Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, parafraseando Laura Potter, "com nosso culto à satisfação instantânea, muitos de nós teríamos perdido a capacidade de esperar".
Daí que, com a correria do dia-a-dia e as numerosas tarefas que empreendemos, nada mais prático que parar para almoçar em um fast-food, ao que Scruton tece críticas dizendo que são comidas "sem rosto". E é justamente aí que o culto à satisfação instantânea e padronização culminam: em uma sociedade sem rosto. Pessoas que, aflitas em suas rotinas cansativas, se vêem obrigadas e pressionadas a se adaptar e a correr toda hora, como máquinas à serviço de outras máquinas.
Nesse corre-corre e vai e vem, perdemos a capacidade de sentar em silêncio. De olhar no espelho e ver nosso rosto. O rosto que, nas palavras de Scruton, "brilha no mundo dos objetos com uma luz que não é deste mundo: a luz da subjetividade". Mas, onde ficou esse brilho? Parece que afundou junto a nossa pessoalidade em uma sociedade que preza mais por aparências que essência. Bauman fala em "sociedade líquido-moderna", Scruton em sociedade "sem rosto". Em todo caso, precisamos nos reencontrar como pessoas em um mundo cada vez mais impessoal.
Um dos exemplos mais significativos dessa situação é a entrevista de emprego. Somos ensinados, a todo o momento, a como nos comportar, o que dizer ou não ao entrevistador, quais hábitos e manias a se evitar. Em outras palavras, deixamos nossa real presença de lado para seguir um manual de instruções! É como se estivéssemos nos vendendo, vendendo uma imagem que seja apropriada àquilo que está sendo solicitado.
O incentivo à homogeneidade e à padronização também pode ser percebido no universo dos smartphones que, após um ou dois anos de uso, ficam obsoletos: além de começarem a dar problemas ao usuário, novas versões do aparelho são rapidamente disponibilizadas, com muito mais garantias de "sucesso" e "satisfação momentânea". Diante disso, somos instigados a não só consumir a última moda, como também a adquirir produtos de forma imediata.
Esse estímulo ao imediatismo acabou gerando em nós um sentimento de urgência em se ter algo de modo quase que imperceptível. Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, parafraseando Laura Potter, "com nosso culto à satisfação instantânea, muitos de nós teríamos perdido a capacidade de esperar".
Daí que, com a correria do dia-a-dia e as numerosas tarefas que empreendemos, nada mais prático que parar para almoçar em um fast-food, ao que Scruton tece críticas dizendo que são comidas "sem rosto". E é justamente aí que o culto à satisfação instantânea e padronização culminam: em uma sociedade sem rosto. Pessoas que, aflitas em suas rotinas cansativas, se vêem obrigadas e pressionadas a se adaptar e a correr toda hora, como máquinas à serviço de outras máquinas.
Nesse corre-corre e vai e vem, perdemos a capacidade de sentar em silêncio. De olhar no espelho e ver nosso rosto. O rosto que, nas palavras de Scruton, "brilha no mundo dos objetos com uma luz que não é deste mundo: a luz da subjetividade". Mas, onde ficou esse brilho? Parece que afundou junto a nossa pessoalidade em uma sociedade que preza mais por aparências que essência. Bauman fala em "sociedade líquido-moderna", Scruton em sociedade "sem rosto". Em todo caso, precisamos nos reencontrar como pessoas em um mundo cada vez mais impessoal.
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| Imagem: LitPark |

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