O espírito crístico

Acordei hoje com uma reflexão sobre a homilia proferida na missa de ontem. O ponto principal era que nós, cristãos, assim somos porque fazemos as coisas sem esperar nada em troca. Porque nós, cristãos, fazemos as coisas por compaixão ao outro.

Fiquei meditando sobre isso por alguns minutos nesta manhã de segunda. E cheguei, não para o meu espanto, à seguinte conclusão: de minha parte, falta muito para eu ser uma boa cristã. Quantos de nós, a propósito, somos verdadeiramente bons cristãos? Quantos de nós nos doamos para o próximo?

Eis a questão: a maioria de nós faz algo esperando alguma coisa em troca. A necessidade de reciprocidade é o que norteia nossas vidas e nossas relações de quaisquer ordens. Se, por exemplo, somos atenciosos, queremos receber atenção de volta. O dar e o receber são, em grande parte dos casos e situações, irmãos siameses.

Assim, se para a maioria de nós, e em grande parte dos contextos, o dar e o receber são irmãos siameses, concluí (com base em algumas experiências de vida, leituras e estudos) que para ser cristão é preciso ser transcendente. Em outras palavras, devemos, como cristãos, transcender nossos próprios interesses, paixões e limitações se quisermos efetivamente ajudar o próximo. Ajudar - digo - de coração, e não visando a um objetivo específico.

Se nós ajudamos alguém com a intenção de receber algo em troca, então não estamos efetivamente preocupados com o outro, e sim com nós mesmos, com o nosso ego. Portanto, a pergunta que fica é: como podemos desenvolver o espírito crístico? O verdadeiro espírito crístico, que vai além de orações e rituais e que se manifesta na prática, na comunhão desinteressada com o semelhante.

Não tenho a resposta a essa pergunta, uma vez que falta muito para eu ser uma boa cristã, já que existem muitos aspectos dentro de mim a serem trabalhados. Mas, uma coisa é certa: o primeiro passo sempre será aprender a reconhecer nossas limitações e crenças limitantes para qualquer transformação que queiramos empreender. O segundo passo, e o mais desafiador, na minha visão, é começarmos a abandonar, pouco a pouco, velhos hábitos, atitudes e práticas egocêntricas para que se abra um espaço muito mais frutífero e positivo em nossas vidas. Creio que, fazendo isso, estaremos um pouco mais perto do outro e, consequentemente, de Deus.


Vista de um lugar sagrado no Líbano










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