Algumas notas sobre a educação
"Ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, preferir o tentado ao não tentado, o facto ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao superabundante, o conveniente ao perfeito, a felicidade presente à utópica". - Michael Oakeshott
Ao ler e reler essas palavras do filósofo inglês Michael Oakeshott, é interessante perceber como hoje, ao invés de sermos estimulados para o conhecimento da realidade e busca da verdade, somos rapidamente induzidos a ser agentes transformadores da sociedade.
Não há nada no mundo mais simples, aliás, do que se apropriar da ingenuidade de uma pessoa jovem e utilizá-la como presa fácil de interesses políticos. Qualquer estudante do ensino superior da área de humanas, que não é militante, sabe bem disso. Ou, pelo menos, deveria saber.
Afinal, que tipo de educação estamos recebendo? Ou ainda: o que sobrou dela? Foi precisamente sobre isso a palestra concedida pelo publicitário Silvio Medeiros no Ciclo de Palestras Santa Generosa, em agosto.
Durante quase três horas de exposição, Medeiros discorreu sobre as concepções e finalidades da educação desde os tempos medievais até os dias atuais. Na Idade Média, a educação era concebida no modo de ensino clássico, composto por uma metodologia que abarcava lógica, gramática e retórica, a chamada "trivium".
Esse método, junto ao "quadrivium" (aritmética, música, geometria e astronomia), tinha como principal objetivo elevar o espírito humano a partir do aprimoramento dos sentidos e do intelecto, de modo a se conhecer a realidade e a transcender.
Não à toa, muitas das belíssimas produções artísticas foram produzidas nesse período, como bem relata o engenheiro Adolpho Lindenberg em seu livro "Utopia Igualitária". O desenvolvimento dos sentidos para o que era real e belo - a partir da ideia daquilo que era sagrado, divino e valoroso - era visivelmente presente na arquitetura das casas das famílias, bem como os trajes que homens e mulheres vestiam, sempre muito elegantes.
A própria forma como as pessoas se referiam umas às outras era sempre respeitosa e cordial. A hierarquia era o que movia todas as relações: existia todo um ritual no cumprimento para com o outro, sendo os mais velhos reverenciados com maior atenção.
Nos dias atuais, entretanto, com a sanha à sociedade dita "opressora", naturalmente cheia de divergências sociais, econômicas e culturais, a estratégia é aniquilar todas as desigualdades existentes, nivelando as pessoas por baixo, suas preferências, vocações, linguagem e, sobretudo, modo de ser e pensar.
É esse o ensino em voga nas salas de aula. É antes transformar a sociedade do que entender seus mecanismos e a realidade como ela é (que, diga-se de passagem, sempre foi composta por aqueles que mandam e obedecem em todas as épocas da história. Pois é isso que faz com que uma sociedade funcione. E aqui não entrarei em detalhes apontando os excessos ou falhas desse regime hierárquico "opressor", até porque me falta muito estudo e investigação para isso).
Hoje, as salas de aula viraram palanque para discursos políticos, cheias de militantes ignorantes, que, em seus discursos revolucionários, não fazem mais do que apregoar sua própria ingenuidade. Hoje, mais do que nunca, o que vale são as ideologias, as ideias, e não a verdade.
As fantasias de um mundo melhor se sobrepõem aos fatos. E os jovens, sendo massa de manobra política, mal se dão conta de sua alienação frente ao que acontece. É verdade que o mundo nunca foi fácil, mas jamais fomos tão miseráveis como agora.
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